... (br) eu caminhando, mas sem passos demais. tenho trabalhado pouco. Lido bastante, escrito de vez em quando. Tenho andado por aí novamente. Voltei a ser nômade. Estou na casa do meu irmão. Aqui, meu irmão tem uma chaleira que conserva bem a temperatura do meu chá. Não sei se é chaleira ou bule. Tenho saudades. Muitas e de muitas coisas. E uma delas e é você. queria mais perto. Aqui o frio derrete ao alto e pinga uns resfriadozinhos em mim, que teimo em perambular descalço pela madrugada de trabalhos inteira. Comecei um livro novo. Parei um antigo. Tenho uma calma em mim que não sei a que vem, a que senhor serve. Ando louco. Louco e sábio. Sempre me sinto mais sábio quando consigo, sem esforço, ficar mais calado e olhando. Estou sem dinheiro e sem muito ânimo. Não sei o que meus passos,(e meus versos???) contam para a história. Nem o que os dias pedem. são tantos passos a dar e tão poucos pés. Não entendo os dias. Mas sei que o asfalto não responde muitas coisas que pergunto em passos. Os dias não têm dado muito de si por mim. E se mantêm com 24 horas! Tudo que me cobra, tenho descoberto ser eu. Tem umas flores bonitas secando na minha agenda.existe uma borboleta bonita com o nome de papilos Glaucus. Quero ir. Ir. Ir. E não vou por que sempre espero por mim. Tenho de sair desse sitio de concretos e asfa]lto. Aqui até as flores inspiram a escrever sobre a fumaça. Elas quase cheiram a dióxido. Tenho tido medo. E sinto que vou escorregando em areia. Calmo eu engulo os grãos que me afogam. É qause impossível pensar em afogamento sem desespero. Tudo é drama! Minha namorada tem 5 tatuagens. eu nenhuma. Perdi a bolinha do meu piercing. E duas bolinhas de cristal que carregava junto de uma terceira de metal. Sabe que não encontro as conchas que me deu? O esmalte preto da minha unha está sumindo. Já descascou. Eu aprendi a fazer papel artesanal. Vou te escrever uma carta assim que testar. Esse dias me pintei e fui visitar um amigo em São Roque. O avô dele tinha morrido. Saímos os 4 pelas ruas pintados de clown. Me senti estranhamente em casa. O panqueique realça as rugas. Os palhaços são mais velhos na palidez constante. Isso é triste. Mas há aí um auto-conhecimento. certas melancolias trazem uma alegria intrínseca e discreta que é a verdade vista e as vezes aceita. Não sei onde esqueci minha revolta. Os pequeninos do meu condomínio me chamam de tio já. Tenho sobrinhos lindos e sinto saudades demais da minha irmã viajante. estou secando uns amores perfeitos na minha agenda. estou namorando. essa noite vai levar muitos dias. muito tempo. ter muitas horas. eu escrevi um poema para meu pai no domingo e entreguei em papel envelhecido. ando sem grana e sem ânimo.e louco. Louco e sábio. Sempre me sinto mais sábio quando consigo, sem esforço, ficar mais calado e olhando. O açúcar sempre acaba para os chás. Escurecer é o silêncio que a noite chora. talvez por mim. talvez por nós. talvez por seu silêncio apenas.
SEMPRE BOM!:
se perder no espelho, ver a lua, sentir o vento sussurando um emudecer qualquer aos ouvidos, se mudar visual sem se perder essência, rir de si, sentar ao alto de uma falésia e morrer em poesias jogadas ao vento, sorrir, retribuir sorrisos, amar, amar muita gente ao mesmo tempo, beijar testa olhos e mãos, gente diferente, revoluções de pensamentos, morte e vida em prazer com que se gosta, não-preconceito, conversa de olhares, conversas de olhar, observar a vida, ser deus, comunicações alternativas,nudismo, musica com mensagem, programas diferentes, insanidade, poesia.
VERBOS!:
me permito
me sei
me sou
posso
ainda não sei
e vou!
nada de nada:
Preconceito, intolerancia, incompreenção, obscurantismo, amargura, presidente sanguinário, viver para trabalhar, não fazer o que gosta, se podar, se moldar pela sociedade, calçar pegadas tortas, não se ser...
NÃO VERBOS!:
não posso
tenho que
odeio
pos-mundo
cale">cale
poetica">Noia Z
o som da solidão
Andando sob a chuva, as pernas se jogando para a frente, sempre, um movimento contínuo rumando o desconhecido e deixando na areia fina do Espelho, seu rastro corajoso... o moletom preto, curto, cortado, sem gola, sem as pontas das mangas, sem barra, manchado de tintas, pincelado de cores da tinta já usada e descartado o excesso no tecido, calças curtas e a serenidade na face molhada. Nos lábios, a canção: ´´fez-se mar.., sinhá o meu penar, demora não.., demora não...´´ observou um pássaro que gritou de passagem. As ondas quebravam com seus trovões, - escreveu mentalmente-
a espuma, que sem estado,
alça da nuca da quebra da onda,
o vôo e vem, areia acima,
desenrolando seus véus...
lamentando a tentativa de me alcançar
pelas penas dos ventos...
meu passo persiste ao grito, a curva, à chuva...
contínua a chuva à beira do mar,
a céu aberto, me cobre,
assim por quanto une o céu ao chão
e tudo de mais sublime do natural
faz união...
o mar une todas as terras mais distantes,
todos os povos, e se não,
têm o vento, o ar em movimento.
A terra nos une ao centro.
É só corpo que nos separa,
E é pouco, físico...
Nos somos todos!
E a Deus nos pomos,
E a todo deus, Deuses somos.
Que não domine à mente,
A consciência do concreto e do ´´real´´,
Mas que resista ao que há tempo,
A transcendência, a este caminho,
Breve aprendizado a que se existe.
23de agosto, 2005
Outeiro das Brisas - Espelho - BA
temporada de caça
o tempo se adianta, se precipita em ser cruel.
o espaço leva o tempo, o estende na distancia..,
do alto.., do largo...
não demora meu envelhecer e seu depois inevitável.
passa-se anos numa semana
só para rasgar meus sentimentos nesse ardor.
8de outubro, 2004
São Paulo - SP
O sol caía sobre o horizonte de madeiras, de placas, de telhas velhas, a passagem de algo sutil num gesto próximo, alheio ao mundo subordinado das coisas; das vozes aos carros, de sons de passos; no caminhar adiado dos pés descalços do homem envolto em sacos plásticos, ou dos saltos femininos das mulheres adventistas enfiadas em seus vestidos azuis ou saias.
Ele sentia a vida interrompendo a voz, gargarejando aquele desconforto, a dor que Há de plano de fundo, um sofrimento que só espera sua vez.., à espreita... O som agudo se estreitando em seu pescoço. Água que sobe no copo que se enche e grita aquele aviso, de limite.., a tentativa do pedido por socorro afogado.
no corpo que se enche de marcas pela vida.
na vida que vazia, se busca, em si, ao redor... nas coisas, alheias ao sol poente, que não são ele, que gosta das coisas, que não são ele, que gosta, que não são.
´´gosto das coisas porque sendo coisas
não são o que sou.
conhecendo-as, me desconheço e posso
ser mais eu...
...gosto das árvores porque não sei apenas esperar pelas chuvas e estações.
gosto das folhas porque não sou folha.
gosto das pêras porque sob relógios, também perco-me no fulgor de estar pronto para nada também (não uso relógio, mas não sou pêra.)
gosto do galo porque cantando é sem morte.
gosto da canção porque a trago dentro de mim dizendo coisas que ainda não sei.
gosto dos ventos porque não tenho o talento de tatear com ausências,
contornar com um sopro...
gosto do mar porque meu peito não se estende,
porque minha voz não inspira,
porque não alcanço o horizonte com meus braços...
das poças, porque recolhem as gotas que não bebi.
das flores porque expressam a beleza simples em imagem.
das borboletas porque se equilibram no vôo refletindo o belo (e o bizarro) de cada extremo.
dos livros porque inanimados, dizem muito mais que eu que corro.
do luar porque nem me lembro de existir diante dele.
do céu, porque conhece as coisas, todas, de infinito a infinito.
gosto dos sinos porque Neruda me ensinou antes de sair.
gosto das lágrimas porque nunca caí com tanta dignidade.
gosto das folhas em branco porque não sou suscetível a todas possibilidades.
gosto do nu porque não me sinto nu.
gosto do tempo porque escreve obras completas
porque não há quem melhor console...
gosto de amor porque é completo.
gosto da vida, porque sei que nos engana, mas não sei o que é a vida.
gosto das pedras porque são o que não sou,
porque têm o que nunca terei.
Gosto de coisas porque é tudo, e fora de mim.´´
um poço noutro continente distante
um livro nas mãos e nada fora dele, sequer
o torso rubro de você enquadrado na porta
do quarto de vida que somos, apoiada na calha
esquerda de uma cena expressiva tal Valentina estaria.
eu me recolhi ao meu medo de existir
no mundo daquela nova realidade desleal.
escorreguei os olhos nos vãos de palavras iguais da página,
e parei num círculo formado de círculos e meios...
perdi-me de você naquela ausência de narrativa
que meu pensamento construía ao meu redor
de olhos frios, pesados de inanimado pesar..,
dois túneis vermelhos rumando o exterior de um amor
perfeito seco, sob o peso de páginas, em
companhia daquilo que diz diferentes coisas
com as mesmas palavras...
e quem ouve, lê. E se sente, vive.
suas poucas sobrancelhas claras, brincavam
gaivotas, nervosas no seu olhar de gude serenado.
tentando meu perdão cansado de perdoar.
os dedos longos sob a copa da bata vinho..,
unhas nas unhas, ou suas ausências arranhando
um contato agressivo. Os lábios irrequietos
nas mordidas esperançosas por um olhar cordial,
com as correntes oxidadas de letras que tinha nas mãos.
eu perdi meu olhar ao poço escrito e descrito na página,
e deixe-me estar no ar humido daquela palavra
de tijolos cinza perdida num campo alemão,
balancei junto do balde velho em madeira podre,
banguela de algumas ripas, rangi junto da roldana
enferrujada e ouvi o pingar das águas turvas aos
toques de minhas lágrimas...
e você era a sede ou mão que me fizesse sentir,
ser útil, mas algo dentro, fundo, naquela queda
estagnada de água podre e cheiro de fossa, um cheiro
quente, ao mesmo tempo confortável e incômodo...
você era só musgo.., esperando por mim sem ação,
sem mãos ou unhas. E sem mãos eu desci, morri ali,
naqueles não-gestos de um balde sem anjos terríveis,
talvez, longe por demais das torres e cavalos de Duíno.
e naufraguei a podridão caída da corda esfarrapada em
cada gomo, cada casa. E velei junto de mim onde jazo,
nosso amor de toque não ocorrido, lábio de sede,
e água em vida...
13de dezembro, 2003
São Paulo - SP