SEMPRE BOM!:
se perder no espelho, ver a lua, sentir o vento sussurando um emudecer qualquer aos ouvidos, se mudar visual sem se perder essência, rir de si, sentar ao alto de uma falésia e morrer em poesias jogadas ao vento, sorrir, retribuir sorrisos, amar, amar muita gente ao mesmo tempo, beijar testa olhos e mãos, gente diferente, revoluções de pensamentos, morte e vida em prazer com que se gosta, não-preconceito, conversa de olhares, conversas de olhar, observar a vida, ser deus, comunicações alternativas,nudismo, musica com mensagem, programas diferentes, insanidade, poesia.
VERBOS!:
me permito
me sei
me sou
posso
ainda não sei
e vou!
nada de nada:
Preconceito, intolerancia, incompreenção, obscurantismo, amargura, presidente sanguinário, viver para trabalhar, não fazer o que gosta, se podar, se moldar pela sociedade, calçar pegadas tortas, não se ser...
NÃO VERBOS!:
não posso
tenho que
odeio
pos-mundo
cale">cale
poetica">Noia Z
o som da solidão
do que há de eterno e do que há de efêmero...
dos tempos para as coisas e das coisas para o tempo
a assiduidade do que é efêmero em mim
( e sou, fora de mim, humano aqui, Arrabal)
coloca-me, todo tempo que peso em concreções absurdas,
diante do meu fim; que cumpro, o que resto aqui,
uma escultura de cálcio, e um sorriso permanente, que só rio de mim mesmo!
no peito, chia calado, ao invés de pulso, um bojo vazio de vidro fino,
uma metade de tempo que se esvai por mim, mas nunca me pertenceu.
e essa areia casta do mais profundo litoral de mim, consagrado lar,
ruma em rio, torrente, alimenta em eternidade a inassiduidade do inanimado,
a espreitar um olhar claro que perambula no carrossel negro
em meio ao deserto das verdades metamorfas,
modelando-se a seguir os giros orbitais da ampulheta maior que é só respostas...
É por isso que amo as pedras..
17de janeiro, 2004
São Paulo - SP
pequenas mãos sentem a guerra
diante do sentir
vejo-me pedra que desconhece alma,
sinto ser sólido longe das lágrimas
e repleto em poesia.
penso ser calor fluido de sombra
que ignora o tempo mas acompanha o corpo.
bruto é que me sou,
tendo tempo para minha pequena dor
diante do fim que começou...
Glaucus Noia
21de março 2003
SP- São Paulo
do que nem sei se sei ou se sou, ou se assisto
serei assim, sempre tão eu, e sempre fora de mim.
e quando me vier alguém cumprimentar com sorrires nos lábios
e aperto de mãos em ¿prazer emn conhecê-lo¿,
eu direi que não me conhece, e tem prazer em conhecer a fama de mim..
ou imagem.
__Me sou desde sempre tão alheio ao que sou,
vivo tantos dias de lá pra cá tão longe de mim,
que às vezes, (que são muitas), me questiono se
não apenas assisto meu viver encenado, em
pouco corpo magro de gestos falhos que morro.
De longe, de fora de mim, assim tão ausente ao existir,
qual seja a intenção de fé, em coisas.
poucas e tantas num só termo.
Há tanto não sei se sou
tanto não me sei,
quanto não me sou.
não carrego em mim, mesmo, muito saber.
e passo os dias voados e devaneados às artes num geral meta-tudo
sem muito o que dizer, (e sem vontade sequer de discursar ou explicar; só aprendo; nada sei!).
principalmente sobre mim, ou seu eu que sou
só, Eu.
e talvez não..
talvez, apenas platéia...
02de outubro 2003
São Paulo - SP
de uma arte estranha, alheia a mim, que me aponta um olhar, que me observa; compreende.
e não vivo quem sou só por não saber quem é esse, que me é sem mim.
quem dera ser um tanto, ou apenas um pouco
seguro de mim, quanto sou de que não sou o que gostaria de ser.
menos parecido comigo nos gestos que me adornam,
e mais longe, esse sonho que segue nos anos que passo só.
tão ausente aos dois eus que se perdem de mim,
e habitando um outro alguém que tenha aprendido
a apenas apreciar as belezas e sua sedução
sem morrer por ela em tentativas tolas...
Oh, tolos somos, e tanto!
que a arte me compreenda tão somente por pena...
08 de setembro 2003
SP - SP
dueto.
reivindicação de liberdade a duas vozes
é preciso nascer um pouco...
é preciso sair do útero,
dessa sociedade que nos tenta formar de-formando.
sair e olhar o mundo maior,
longe das paredes que te mentem segurança,
olhar o perigo e sorrir diante de seu sorriso,
a cada esquina...
Glaucus Noia e Roberta Haik
08de outubro 2003
São Paulo ¿ SP.
num espelho próximo, deve-se procurar a resposta nos próprios olhos...
num espelho longe, na própria mente...
de tanto refletir luz e tempo me perdi da exatidão dos números..
não há o que fazer... me cativar é um eterno galgar de passos profundos...
refletindo imagens distorcidas de um porvir lento ...
um rosto pálido de mar, tal vítreo seu semblante,
jaz a lua em seu puro leito par..
a imagem impossível num espelho longe, de reflexo profundo que deságua aqui, dentro e tão fora...
reflete também tua face no frio de mim...
um dia cinza sem porvir...
é azul a voz do mar....
longe, tão longe daqui...
outro dia em pequenas megalomanias
é tanta coisa, tanta gente
nessa feira de domingo a domingo.
oferta e compra, oferta e compra
dê o preço, faça a oferta
compre, seja comprado...
a cidade desperta em sons
e me enche o saco!
08de outubro 2003
São Paulo - SP
por que em São Paulo todos são iguais...
vou partir sem pés para o retorno
vou subir o mundo de mundos e viver outra vez
porque em São Paulo todos são iguais
vou restar ali, para comprovar, com existência de ideais,
que me refugiei de sua guerra, assim vencendo-a, para ter paz...
porque em São Paulo todos são iguais...
12de novembro 2003
São Paulo ¿ SP.
almejando voltar a viver
tudo quanto existe é passageiro para mim..., a não ser pelas coisas simples que me agradam o viver. E hoje o aparelho de som, além de não cumprir com seu dever, que seria dar canto a minha musa, a aprisionou, feriu-me a mão no espancamento por abrir-lhe o compartimento e feriu, seu, o canto de encantos em riscos...
choramos por dentro hoje, a Beth e eu...tão ¿Fora de estação¿...
13de janeiro 2004
São Paulo - SP
De um perdurar de erros hereditários no tempo
Era um homem velho e sua morte
de tristezas farta, só dele.
era um mundo colorido e suas grandezas
de fraquezas e perigos , só lá fora.
e mais além havia a voz,
que me furtava vida toda tarde...
__...e sei que tanta mágoa e lástimas dela derramadas,
não eram desmotivadas, mas de tocar-me o corpo e sentir a pele solta...
Um homem velho recitava um poema de um homem velho que dizia haver um homem velho, contando uma história a uma criança; na história, um homem, velho, aturdido nos gestos, debruçava seu torço de rugas sobre uma velha e gasta carteira escolar, onde, de além dessa fronteira rasa, olhos transbordavam vida;
o velho erguia as palmas num ritual trêmulo,
tocava aos olhos com os dedos médios.
os dedos rapidamente adquiriam um tom gris, vítreo na superfície.
tão logo baixasse a mão, tocava os olhos de vida dor vir da criança,
que chorava grãos na face cinza...
era uma criança e sua vida ainda não sabida
de descobertas farta, mundo a criar...
Era um mundo desigual, um reino de pedras,
faíscas de dentes e exércitos de si, no que se é, se agredindo, aqui dentro.
06de novembro 2003
São Paulo - SP
da assídua perda certa
manter-se desde o sempre ao hoje, o dom absoluto;
ser alheio à degradação que nos aguarda nos caminhos pelo tempo.
ver passarem os momentos, absorvendo deles, bem sentidos,
cada aprendizado sofrido ou amado, (ou os dois, posto que não se anulam
e no contrário de opostos, se completam),
sem a aflição de estar diante do temido envelhecer,
(num geral, alheio a noções de, neste ser eterno, ou corpo efêmero de existir),
a que estamos fadados, todos,
quando não aos dezesseis, logo ali, encontrados de uma plenitude de fim,
nossa, por aí, entre rios e velocidades de vento...
mudos, planos se vão e nos levam um hálito ultimo,
para perdê-lo sem se dar conta,
sem dar valor...
ventos seguem soprando,
esvoaçando cabeleiras,
despertando uns risos
e calando outros sob madeira e terra lacrimada.
14de outubro 2003
Nova Esperança / Maringá
Os pelinhos nas pernas de crescer
O dia festejava alegremente algo que não se via claro em meio ao trânsito, ao barulho ecoado de todas bocas, e de todos outros gestos e lados e motores, em meio ao caótico Sábado paulistano. O sol radiante brilhava ao alto e daqui de baixo seu calor lhe sorria de volta a 31 graus Celcius.
Era dos ouvidos regados a Marisa Monte que vinha o refresco e a calma para lidar com a irritação do calor. De sua voz soprada às letras de cartola, Nando, Arnaldo entre outros coletados na fita cassete.
No banco traseiro, uma camisa xadrez pesava o encosto de couro recobrindo o corpo jovem de artes, em suas pernas de calças, lamentavelmente pretas tal qual o couro grosso do coturno, repousava a cabeleira loura no topo de seus quatro anos. De repente o canto de cantos soou mudo, era quebrado pelo chamado manhoso e arrastado do menino pelo tio de colo aparentemente confortável:
__ Titiiio...
__ Oi, lindo.
__ Eu não quero crescer... ¿BUM! o mundo se fechava em portas de incompreensível mudez, e o calor cedeu trégua merecida, dando lugar à ternura de palavras cheias de vazio peculiar de marcas e medos, como os inícios, sós, podem ser. O poeta conhecia a poesia nos primeiros olhos de ouvir e ver a vida manifestada.
__ É meu amor? E por que não?- um arrepio varria o pescoço e o couro cabeludo.
__ Eu não gosto de pelinhos na perna... ¿ o menino tinha os lábios trêmulos e os olhos pregados ao brinquedo usado, comprado a pouco na feira de artes da praça Benedito Calisto. O tio o fitava, planando seus olhos azuis e temerosos em mar, feito nuvem calma os olhinhos foragidos ao brinquedo, talvez por admitir aquilo que poderia ser o mais antigo de seus receios; crescer. O arrepio lhe escorreu aos lábios num sorriso doce e divertido.
__É?
__ Não quero...
__E por que não, amorzinho?
__Porque não!
__Mas sabe de uma coisa? ¿ a pausa breve chamou os olhos a se encontrarem- Depois de um tempo, quando você está crescendo, você nem dá a mínima, nem percebe mais... ¿ não sabia muito o que dizer... e diante da não reação, continuou... ¿ eles vão crescendo aí de vagarinho,- girou um dedo em caracóis na perna lisa ¿ junto com você e você nem repara...
__Mas eu não quero ficar grande.
__Eu sei, lindo, é tão bom ser criança, né? ¿ Se lembrava da sua infância, feliz e descompromissada até os seis anos, e depois melancólica e infeliz; havia o acidente com a o dedinho perdido da mão direita, ao ingressar no pré-primário, rendendo seis cirurgias, trinta e seis pontos, vinte e poucos pinos e algum sofrimento. O desentendimento constante dos pais, mais em clima e desarmonia sentida e descontada nos berros inesperados do pai que em imagens é verdade. Sabia ter sido o mais protegido disto tudo, até por ser o caçula. O acompanhar o pai nos bares depois da feira no fim de semana, era o que mais se aproximava da alegria, naquele tempo, ainda almejada e confundida com felicidade,( um engano comum). prosseguiu ¿ Depois de um tempo não é mais tão ruim assim, você vai se acostumando, tem outras coisas para fazer, e mesmo que você sinta um pouco de medo, ele vai sumindo, vai ficando menor, bem pequenininho com o tempo... -- ele queria mesmo, era apoiar a rebeldia daquela alma enorme do corpanzil encolhido a sua frente, e dizer que realmente é horrível crescer; que todos são mais chatos e solitários e tristes sim, por que não ? não seria um erro generalizar assim. Tampouco exagero. E que se auto-impõe responsabilidades mil e prisões trançadas e quase fundidas, uma mais desinteressante e nula que as outras... Mas não o fez. Havia ali, no seu colo, nos seus olhos, em alma e coração, um universo temendo o existir, um ovo necessitado de calor, asas carentes de incentivo desde já, para voar seus trinares nos ventos frios do amanhã.
__ Mas eu não quero ser grande.-- Havia um temor de decisão na face aberta de olhos escondidos à paisagem.
__Mas você já é grande, aqui ó, muito grande,-- tocou-lhe, com o dedo indicador, de leve a testa. Os olhos se encontraram.¿você já é muito grande aqui dentro. Você é um menino legal, gosta de coisas legais, e seu crescimento, -- seu olhar parecia se fundir às palavras proferidas ao alto.- seu corpo é só um reflexo disso que você vai se construindo, ele só acompanha o que você já é e se descobre aos poucos...
O menino o fitava em grandes incógnitas azuis de olhos. E como o tio se sentisse tolo, (o mais hipócrita dos tolos), a resposta lhe soou satisfatória.
Virou o rosto encerrando a conversa num sorriso repleto de sua satisfação infantil.
O som voltou, e mais poética e intensa do que nunca ecoou o sentimento cantado, os barulhos, o sol voltou a brilhar, mais melancólico, e seu calor, agora, era um abraço, um colo amigo para os olhos mareados do jovem. E termino esta cena como só poderia;
Um carinho de fios às pontas dos dedos
E um orvalho fino regando o olhar
Uma ampulheta crua pesa o tempo dos medos
Numa balança continua, alimentada de erros.
Assim o tempo vem, não mais que isso se vai.
Há a herança de duas histórias.
Uma a se ler e guardar de aprendizado.
E outra a escrever, nem só de erros,
Muito menos só de acertos,
Mas de tentativas válidas, umas mais outras menos.
Temos apenas tempo, para criar nosso espaço.
Por Glaucus Noia
Sábado 20de setembro 2003
São Paulo ¿ SP .
Agradecimento especialíssimo ao sobrinho, amigo e colega na sensibilidade e sentimento das artes, Massimo.
Sobre a cidade, a consciência e o tempo;
memórias de um mestre...
O rapaz pesou, sem gestos, sua mente sobre a cidade e observou, de cima, da cidade e dele, seu movimento que esmorecia suave e lento, prostrada à noite confessando outro dia de prostituição política-socio-cultural. A noite dormiu seus cabelos azuis por cada alameda daquele caos urbano, fosse de prédios, árvores, ou barracos. tudo muito cinza. E a metrópole ia brilhando cada vez mais fraco, inalando o cheiro de fim, respirando fundo, quase inconsciente de si, ia se esquecendo da megalomania que a sustentava, das coberturas e lençóis de seda, aos bueiros, calçadas e jornais e frio, jornais que contaram ontem, mentiras de outro passado mais passado. Tudo muito cinza.
Tão logo a cidade estava liberta da consciência que então ainda o tinha sob rédeas. Foi quando ouviu o badalar mudo que já conhecia dos tempos de Bahia, de seus momentos tantos de paz, silêncio e solidão, dizia:
No mundo poucos homens, mesmo entre os maiores poetas, afora os sábios e verdadeiros reis, alcançaram o fim da obra imensa que constitui a eterna poesia de se ser... que é o mais próximo que uma existência consciente chega da dádiva maior, particular de cada pedra e cada planta; simplesmente ser, sem mitos para a existência.
Aquelas palavras o fizeram pensar em como se pode aprender com coisas aparentemente de incapaz comunicação, a cidade não era mais que um grande objeto dentro de um organismo maior, e vivo sim, e esse pensamento que devaneou por um dos cliques, apenas, dos relógios o recordou de uma viagem. e de outras palavras de uma viagem além dos passos e números... onde os olhos é que conduziam..,
¿sei que um dos grandes dons que temos, e que realmente difere-nos dos animais, é o de aprender com pessoas que conhecemos sem conhecer, dando em troca, tão somente, tempo, para uma leitura, uma audição... talvez haja um outro dom que ultrapasse todos. Todos. Que é o de aprender a se deixar ser influenciado pela comunicação de uma linguagem sem palavras, uma linguagem que todas cousas falam, cada qual em sua freqüência. Basta darmo-nos tempo. O tempo sem valor em relação à sabedoria, e que traz uma porção dela na bagagem...¿
tempo, repetiu o rapaz pelo menos por três vezes bem baixinho. o velho sempre falou muito em tempo... pensou, e foi sobre o mesmo tempo que me permitiu conhecê-lo e amá-lo que discursou antes de partir, após ouvir minha história triste...
¿felizes dos que morrem jovens, disse, não tendo, assim, tempo para amargar a sensação de não ter mais tempo para se arrepender do foi. Mudar é uma grande dádiva concedida pela consciência, filho, mas aqui, perto do fim não há futuro, bem se sabe, e sem futuro o passado se torna mais distante e confuso, e a única realidade não passa de um presente frio de espera sem expectativas. Onde se morre só, a cada ultimo cair de momento no peito¿
o rapaz deixou que os ombros satisfizessem sua vontade, e caiu para traz exausto, tinha sido um dia cansativo e quase incomodo. Já deitado ficou brincando com as palavras em meio as nuvens e areias que o dançavam a mente de sono.
_ Não há nada do tempo que se possa descobrir, já que não foram previamente estabelecidas as cousas de tempo. O tempo se faz à medida em que o descobrimos para nós, à nossa maneira. Não à maneira dos relógios que nos mentem sempre tentando-o guardar em compassos de espaço a ser contado. O tempo corre, rio, nuvem e som. Alheio a contagens, em cada fração de momento e dia de séculos... E nem ¿tempo é¿. Segue o livre, livre de si, até que se torne ele, consciente do que é.
E dormiu numa luta interna entre o sono e a vontade de procurar uma caneta para escrever, na parede dentre tantos outros escritos rabiscados, muitos às cegas, o que acabara de criar em pensamentos. Não conseguiu, e sabia que pela manhã não se lembraria a metade.
28de junho 2003
São Paulo ¿ SP
Na casa da irmã Karina arrebatando partes de
escritos perdidos de outros dias da agenda e criando..
a imagem absurda num espelho longe, de reflexo profundo que desagua aqui, dentro e tão fora...
há um espelho de nós mesmos que não reflete nada, só um vazio, que do olhar, se expande ao corpo e ao redor.
a areia soprada do vento, vindo sabe-se de onde, escorre da meia ampulheta que nos cabe às mãos. mas são os olhos que pesam o real maior, a prima dor arde a alma e seu olhar
envoltos em chama leve,.. que só cai e toca, quente... à superfície fria que só observa-nos sem outros sons ou gestos aprendendo a nos ser nos anos do tempo que vemos ir, longe... ocupar seu espaço dentre infinitos;
noutro sonho de se perder...
15de junho 2003
São Paulo - SP
encenação igual e contrária de que se rega a dor
o que brinca no frio, de mim,
não é mais que outro apenas,
com medo de se ser
seguindo passos. Imitando gestos.
fugindo da culpa do ser.
tentando se refugiar na imagem invertida de mim
sem saber que o que gesticula à sua frente
é outro pedido cansado por ajuda...
e que essa nossa mágoa, é um sinal,
e nos une ao molhar (regar )numa só gota
que se estende da minha dor à dele,
nossas duas existências, igualmente irreais e lúdicas
em relação ao frio do concreto que nos divide a consciência
15de junho 2003
São Paulo - SP
a solidão muda que me acompanha quieta e mansa o sono, sustenta minha insônia. E só me rendo diante dos ruídos enormes da cidade, que desperta em sol uma vez mais, noutro tempo para se vender e morrer. ¿Sobretentarviver¿ dos preconceitos nossos de cada dia que o ontem nos dá hoje... e a hipocrisia mútua de cada um para consigo.
15de junho 2003
São Paulo ¿ SP
Da boca oca frente ao mundo...
de um ressoar de outro silencio,
despe-se meu outro falar.
de palavras tantas ao acaso
esperando que alguém enxergasse...
mas não, ninguém mais vê nada
as pessoas ruminam seus gestos, apenas,
automatizados pelas camas ocas e sujas.
esse novo vácuo que habita-me o peito,
me grita dos olhos
um velho e amargo descontentamento.
há ainda uma declaração latente,
pendente das cordas vocais secas,
raízes do som. meus olhos tentam dizer
e só enganam a si e aos outros...
eu me deixo ao que não diz
e peso meus dias ao tempo de ausências.
me busco em espelhos da vida ladra de vida,
e só me digo, segredado, em duas chamas de olhar,
que depois da fúria cessada contra a máquina:
__minha voz morreu!
São Paulo SP
29de setembro 2003